O endividamento das famílias brasileiras atingiu 78% da renda anual em 2025, segundo dados do Banco Central — o nível mais alto em dez anos. Mas especialistas em finanças pessoais dizem que sair das dívidas é possível, desde que se adote uma estratégia clara e disciplinada.
O primeiro passo, segundo a educadora financeira Camila Esteves, é mapear todas as dívidas: saber exatamente quanto se deve, para quem, a que taxa de juros e com qual prazo. "Muitas pessoas evitam olhar para as dívidas porque têm medo do que vão encontrar. Mas você não pode resolver um problema que não conhece", diz ela.
Existem duas estratégias principais para quitar dívidas. A primeira é a "avalanche", que consiste em pagar primeiro as dívidas com as maiores taxas de juros — geralmente cartão de crédito e cheque especial. A segunda é a "bola de neve", que prioriza as dívidas menores para gerar motivação com as primeiras vitórias.
"Para quem tem dívidas no cartão de crédito, a primeira providência é parar de usar o cartão e migrar o saldo para um empréstimo pessoal, que tem juros muito menores", recomenda o consultor financeiro Alexandre Pires. "Os juros do cartão de crédito no Brasil chegam a 400% ao ano. Isso é impagável."
Negociar com os credores é outra estratégia importante. Bancos e financeiras frequentemente oferecem descontos significativos para quem quer quitar dívidas à vista. Programas como o Desenrola Brasil, do governo federal, também facilitaram a renegociação de dívidas para milhões de brasileiros.
Além de pagar as dívidas, é fundamental mudar os hábitos financeiros para não voltar a se endividar. Criar uma reserva de emergência equivalente a três a seis meses de despesas é o passo seguinte após quitar as dívidas, para evitar que imprevistos levem de volta ao ciclo do endividamento.